
Brasil cai na semifinal em maior vexame de sua história.
Alguns jogos eu acabei deixando para escrever sobre alguns dias depois, com a copa em andamento, mal dava tempo de comemorar um jogo e já estava começando outro e assim ia. Mas hoje pela historicidade dos fatos, faço questão de escrever no calor dos fatos.
Assisti, como sempre, na casa dos meus pais.
E pela primeira vez senti um pouco de nervosismo. Talvez por logo no começo não estar lá muito crente na longevidade deste grupo na competição, no decorrer, uma certa antipatia pela postura ao meu ver forçada, mecânica de se comportar, e uma tentativa mediática de tentar me fazer enxergar uma seleção que, não chegaria à outro patamar, que senão ao hexa. Como estava escrito no ônibus da seleção: "Preparem-se, o hexa está chegando". Mas o ônibus quebrou no caminho, faltando apenas dois pontos para a estação final, e talvez a proximidade me causou euforia. Não acreditava que chegaria, não mostrou qualidade para estar ali, mas estava, e faltavam dois jogos. Descemos para ver o que aconteceu com o ônibus e fomo atropelados pela comitiva Alemã, tão simpática quanto qualificada, sabendo o que fazer para bater o Brasil e com o futebol que meteu quatro em Portugal, nos fez viver hoje, diante de nossos olhos, a maior derrota de nossa seleção em cem anos de história. Capaz de diminuir o velho, e tão falado Maracanazo.
Tentamos enganar, mantivemos a posse de bola nos primeiros dez minutos, até Muller aparecer livre na área em um escanteio, e chutar para abrir o placar. Doze minutos depois, Klose entrou para a história, ultrapassou Ronaldo e fez seu 16° gol em copa do mundo, e em menos de seis minutos, estava 5 a 0 pra Alemanha. Sonoros cinco a zero!
Não tinha muito o que dizer, nós na sala, e imagino que a maioria dos brasileiros, vendo o time perdido em campo e atordoado, só imaginava onde isso ia parar. E uma inevitável sensação de vergonha parecia ser comum à todos no momento também, algo indescritível. Veio o intervalo, a chuva de piadinhas brotando nos celulares, e ainda atordoados tentávamos encontrar uma justificativa para um placar tão elástico, mesmo sabendo da superioridade alemã.
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| Mick Jagger, famoso por trazer azar aos times por quais torce. |
A segunda etapa começou como a primeira, mas com nossa equipe, obviamente, tentando amenizar a pancada e não levar mais gols; não adiantou. Schurrle logo aos 23' fez o sexto e aos 33' fechou a conta para o lado Alemão, Oscar ainda diminuiu, mas diminuir o que? Metersacker em entrevista após o jogo, disse que eles mesmos não entenderam as facilidades e espaços encontrados, e que em determinado momento, em outras palavras, tiraram o pé; e foi o que se pode perceber. Vendo trecho do VT agora a pouco na ESPN, o comentarista PVC usa a palavra "clemência" para citar a forma como a Alemanha se portava após os trinta do primeiro tempo, enquanto parte da torcida já ia embora.
Desde o princípio da copa simpatizaram muito com a população brasileira, usaram camisa do Bahia, uniforme semelhante ao do Flamengo, enfim, era visível ao término do jogo um certo ar de respeito e de estarem sem jeito ao cumprimentar os nossos jogadores e a nossa comissão.
Um dia atípico, onde se tem ciência de estar presenciando uma marcante página da história do futebol ser escrita frente aos seus olhos. Hoje esquecemos 50, e do que vivi, França em 98 virou bobagem, 2006, 08, 10, quem se lembra?
BRASIL 1 x 7 ALEMANHA
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data/Horário: 8/7/2014, às 17h
Árbitro: Marco Rodríguez (MEX)
Assistentes: Marvin Torrentera (MEX) e Marcos Quintero (MEX)
Público: 58.141 torcedores
Cartão amarelo: Dante (BRA)
Cartão vermelho: -
Gols: Muller, aos 10'/1ºT (0-1); Klose, aos 22'/1ºT (0-2); Kroos, aos 24'/1ºT (0-3); Kroos, aos 25'/1ºT (0-4); Khedira, aos 28'/1ºT (0-5); Schurrle, aos 23'/2ºT (0-6); Schurrle, aos 33'/2ºT (0-7) e Oscar, aos 44'/2ºT (1-7)
BRASIL: Julio Cesar; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho - Intervalo) e Oscar; Bernard, Hulk (Ramires - Intervalo) e Fred (Willian - 34'/2ºT). Técnico: Luiz Felipe Scolari.
ALEMANHA: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker - Intervalo) e Howedes; Khedira (Draxler - 23'/2ºT), Shweinsteiger, Ozil, Kroos e Muller; Klose (Schurrle - 12'/2ºT): Técnico: Joachim Low.




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